jeudi 31 janvier 2008
Voix Lusophones en Images
Pour regarder les albums, merci de cliquer sur les photos.
Rencontre avec Antonio Lobo Antunes (10/04/2008)
Rencontre avec Pedro Eiras (28/03/2007)
Lectures des Chroniques d'Antonio Lobo Antunes (5/04/2007)
Colloque Antonio Lobo Antunes (5/04/2007)
Cocktail de clôture du colloque Antonio Lobo Antunes (5/04/2007)
mardi 15 janvier 2008
Rencontre avec Pedro Eiras
ENTRE INNOCENCE ET SAVOIR : PEDRO EIRAS
RENCONTRE LES JEUNES ÉTUDIANTS PORTUGAIS DE
PARIS III.
(compte rendu de la rencontre avec le dramaturge portugais Pedro Eiras du 27 mars 2007)
Paris, Université La Sorbonne Nouvelle, l’homme qui vient nonchalamment à notre rencontre s’appelle Pedro Eiras. Le regard doux, mais avec un énorme sourire, cet écrivain d’une trentaine d’années entre timidement dans la salle où se trouvaient quelques une de ses lointaines amitiés. Après un bref regard, comme un enfant qui entre pour la première fois dans une classe, Pedro salue chaleureusement ses amis. Voix Lusophones, par le biais de son président et de sa trésorière, procède aux dernières préparations. Puis, sonne le glas et c’est la grande première pour Voix Lusophones : c’est, là, le premier colloque organisé par cette toute jeune association.
Daniel Rodrigues, président de notre Association, présente en compagnie de Catherine Dumas et Ilda
Mendes Dos Santos, l’œuvre de ce jeune auteur qui s’organise dans un va et vient constant entre essai et littérature,
Nous avons donné suite à cette discussion autour d’un bon repas dans un cadre paisible et harmonieux à la Mosquée de Paris. Pedro a, une fois de plus, fait preuve de grande gentillesse en nous parlant du panorama littéraire d’actualité au Portugal, des jeunes poètes, de Porto avec un certain éclat et une fraîcheur qui fait de lui un intellectuel honnête et non corrompu par l’élitisme ambiant de l’intelligentsia. Nous mîmes donc un terme à cette «tertúlia» après un dernier verre de thé… Plus tard, sous une pluie battante et, en plein cœur du quartier latin, j’ai de nouveau aperçu Pedro au loin, totalement happé par la foule, avec un sac au dos (rempli de livres, ceux qu’il nous avait présentés) tel un Pessoa avec sa malle dans le dédale lisboète ou plutôt parisien.
Anopa de Léné
Conférence avec Luis Cardoso
Le 4 octobre dernier, l'écrivain Luis Cardoso nous a fait le plaisir de nous donner une "palestra" et de partager avec nous son expérience avec l'écriture. Retrouvez ici certains passages de cette conférence ou écoutez la en entier :
Présentation :
Timor et la langue :
La lutte pour Timor :
Littérature et exil : les premières productions :
Requiem para um navegador solitario :
Débat :
Conférence en entier :
Atelier d'écriture
Le premier exercice consistait à poursuivre des phrases de Miguel Torga en utilisant deux mots choisis par les intervenants. Les phrases élaborés ont servi à constituer un texte par collage, à la manière surréaliste.
Pour le second exercice, nous avons demandé aux participants de rédiger un texte de plusieurs lignes en s'inspirant d'un extrait de Diario de Miguel Torga.
Collage :
Nessa cama de sombra é que me deito e acordo a tactear desde que vim… para estas águas-furtadas porque mes deixastes a mim ! O amor tinha-lhe finalmente preenchido a alma. Quando o desespero se apoderou de mim, olhei para o chão e vi aquela pedra. Pensei então : eram horas de a iniciar no abc da ferocidade. Tenho tantos regressos e saudade por dentro do meu peito, que queima a minha tranquilidade. Chega-se a qualquer terra do país, procura-se poesia, inventa-se simplicidade, descasca-se uma aparência humana, às vezes até próspera e suficiente, e é fatal : mais um falhado a jantar ao grande rol da nação. Aqui, a liberdade tem os seus limites do nosso corpo e as ideias penduradas ao nosso tecto não fogem fora do nosso telhado. A Guerra é mais simples do que a negociação; o desparo é mais simples do que o diálogo; a violência é mais simples do que a conversa ; a ditadura será mais simples do que a democracia ? Não encontro aliviamento às penas que me torcem a alma. É triste mas não há voltas a dar-lhe. As portas do Aljube estão fechadas e não há buraco no telhado. De maneira que era praticamente impossível que a árvore desse outros frutos. O campo estava varrido por torgas abafadas pelos pedregulhos do reino maravilhoso de Trás-os-Montes. Começava a criação do mundo. Cada povo tem os Tutankhamões e a pirâmide que pode. São proporcionais à sua soberba.
Texte réalisé par l'ensemble du groupe de l'atelier d'écriture
Productions personnelles :
Lonje, Inverno de 2007
Triste da minha sina, onde está tudo combinado, alguns me cá trouxeram e outros não me querem de volta. Quando o compromisso torna-se sacrifício e que a prenda transforma-se em egoísmo… que remédio encontrar para acalmar tal impaciência que mata cada momento. Sou vagabunda doida esquecida à procura desses telhados, dessas colinas, dessas águas, dessa graça… desse fado mas que só acha paixões, proveito, medo, ilusão e saudade. Cada dia que passa o meu pensamento é sacrifício, como se aquilo tudo fosse meu e me estivessem a roubá-lo.
Inês da Silva, étudiante à l’ESCE – La Défense
E a paisagem tranquila, serena e eterna das planicies da minha infância invade-me subitamente. Relembro-me dos pastos pardos e das larangeiras em flor. O em vão. Estes
Um fino manto de neblina cobre os campos, as lareiras fazem esquecer o frio e aconchegam as crianças às mães. As mulheres, eternamente de preto, parecem esperar uma morte que teima em não chegar e eu, aqui, a olhar e a pensar. Penso que foi tudo disperdiçado e que o tempo nunca mais poderá voltar atrás.
Isabelle Simões Marques, étudiante en doctorat de portugais, Paris 8
A miséria do mundo não é só em relação com a saúde ou a falta de dinheiro. A mais grande miséria é o fechamento de uma alma perdida no mundo, assombrada pelos retratos negros do passado, a impossibilidade de se abrir ao mundo, igual a um castelo que tem as chaves das portas desaparecidas no imenso mar. Essa alma será sempre a procura do seu paraíso ? Ou talvez ficará meia-morte de ter perdido a luz que lhe deu vida.
Emmanuelle dos Santos, étudiante en Licence 1 de LLCE Portugais, Paris 10
A linguagem e a imaginação
A magia da linguagem, em uníssono com a imaginação, situa-se neste preciso ponto : (re)criação de algo que não existe. É através desta magia que Miguel Torga alcança a felicidade : “e consigo, assim, brincar e ser feliz nos lugares onde nunca o fui realmente, e por onde passo de vez em quando numa espécie de respigo da vida.
Linguagem e imaginação permitem « inverter praticamente o tempo”, presenciam o que está ausente, criam o que não existiu ou existe.
O homem torna-se pessoa neste jogo de linguagem-imaginação, conhecendo-se cada vez mais a si próprio e ao mundo que o rodeia.
Matilde Gonçalves, étudiante en doctorat de portugais, Paris 8
Paris, 16 de outubro 2007
Mas as minhas raízes
Continuam na minha terra.
Saudades das serras,
Do pôr do sol, de roupa lavada
No rio e desse bairro
Aonde cada um vivia, convivial
Luiza Joana
Maria de Fátima Vilela, étudiante en portugais à Paris 4
Eis que surge na palavra
O mundo do acto de espremer
Sol que esmaga a triste serpente / sol esmagado que
Traz então dois teres , um que
E meu : no eu tenho medo
Outro serpenteado : têm-se medo
Dois sóis e o vento que sopra
Retirando poeira
Daniel Rodrigues, étudiant en master 2 de portugais à Paris 3
Agora, frente ao mundo que se enchia de sons, sentia a alma enlevar-se e mover-se ao ritmo dos ruídos da vida que chegavam da cidade. Terra longiqua onde havia de chegar, onde havia de cantar as rumbas das minhas alegrias e as elegias dos meus desesperos. O ar, repleto das vibrações dos homens a andarem, a trabalharem e a significarem, saciava-me a alma de sonhos acordados. A sinfonia da urbanidade chamava-me no seu leito e cativava-me com o seu tremendo esplendor. A natureza, agora muda, adormecera num silência aterrador, quase fatal, que presenciava o seu triste imobilismo. Nada mais que partir daqui, onde as almas só podiam esperar o sinistro enterro da sua juventude.
Sarah Carmo, étudiante en doctorat de portugais à Paris 3
mercredi 5 septembre 2007
Rencontre autour d'un film
O Último Mergulho de João César Monteiro
Nesta quarta-feira, dia 25 de Outubro, nos reunimos para lançar mais um projeto Voix Lusophones : nosso encontro cinéfilo mensal, Rencontre autour d’un film !! A primeira surpresa foi descobrir a sala de projeção de Paris III, no térreo, sala 49. Passamos tanto tempo nos corredores, na correria do nosso dia a dia, que nem nos lembramos da grande oportunidade (quelle chance!!) que se oferece diariamente aos alunos. Temos um cineminha logo ali, na palma da mão e convido todos para aproveitarem o Cineclube diário – a programação se encontra disponível e qualquer estudante de Paris 3 pode se filiar ao clube.
Quanto ao nosso encontro mensal, fico muito feliz de poder ter acesso a filmes que seriam quase lendas inacessíveis se não fosse a programação organizada pela equipe VL – merci beaucoup !!
Gostaria de aproveitar também este espaço para iniciar um debate sobre este monumento do cinema português – quem sabe assim não deixo com água na boca aqueles que não foram... – que é o filme do cineasta João César Monteiro.
Começo com o título.
O mergulho que se segue, não é apenas o de um corpo na água, mas um mergulho pela cidade de Lisboa, cidade dominada por paredes rudes, e todavia que cheira a mar, paradigma português tão evocado ao longo do filme, seja na mixagem do som, seja na evocação do marinheiro Elói, ou ainda na presença do cais e do Tejo. Este é o último mergulho, aquele da morte ou o da iniciação que refaz o homem. E a concepção do homem do filme acaba por ecoar no texto de Hordëlin lido no fim.
O undergound de Monteiro em muito se liga ao “udi-grudi” da Boca do Lixo - cinema paulista da década de 70/ 80 no Brasil. É o habitat causa e conseqüência dos valores morais dos personagens. Popular, pobre, esta Lisboa que aqui se abre para o mergulho, vende-se ao dinheiro de Elói, proporciona contatos surreais – como a cena da Salomé – e acaba por ser o espelho dos personagens, como havia sido o Tejo na primeira imagem de Samuel, que o contempla, tal um Narciso. O curioso é que a imagem que vemos não é o reflexo do jovem, mas sim o de um navio...
Aos que viram, sugiro que continuemos o debate na página Les cinéphiles (Les Voix critiques) e até a próxima sessão.
Daniel RODRIGUES

Lisboa é quase o personagem principal, ao menos a Lisboa underground, típica da obra do cineasta. Assim como Roma se apresentava esplendorosa, violenta, cruel, vazia e centro do mundo na Dolce Vita de Fellini, a capital portuguesa é o cenário/ habitat da deambulação do jovem suicida, Samuel, e do seu novo mentor e amigo/ pai e sogro, Elói – vale notar que, logo após o encontro dos dois, numa tasca, o personagem do homem mais velho é comparado a um cachorro, numa técnica que lembra o exercício de Eisenstein.






